Aumento do IPI de carros importados: nossa opinião

“Nossas maiores esperanças e nossos piores medos raramente concretizam-se, mas os nossos piores medos se concretizaram nesta noite”, disse Jim McKay, jornalista americano, ao informar o trágico fim do massacre dos jogos olímpicos de Munique, em 1972.

Claro que não estamos tratando ou falando de um caso ou circunstância tão horripilante ou escabrosa caso como a mencionada acima, mas a frase de McKay é extremamente apropriada para a atual situação do mercado automobilístico brasileiro.

Desde que Fernando Collor chamou os carros nacionais de “carroças” e abriu o mercado, um dos poucos atos a atingirem o cartel das grande e poderosas montadoras nacionais, muito pouco foi adicionalmente feito, e quase nada mudou – ao menos positivamente. A qualidade dos automóveis atingiu tristes patamares, e os preços tornaram-se absurdos, quase surrealistas. A maquiagem do “custo Brasil” esconde a verdadeira razão dos altos preços e da qualidade duvidosa: a ganância das grandes montadoras, que acumulam lucros exorbitantes.

O brasileiro, infelizmente, acomoda-se na sua ignorância, e com um belo e patético sorriso no rosto, paga caro por automóveis sem o devido valor. Parte desse comportamento provém, como mencionado, da sua total ignorância e incompetência. Outra parte provém de seu ego diminuto e da ridícula falta de auto-estima do brasileiro comum, que compra carros como sinal de status e de importância, um método artificial de inflar seu ego ferido por um país massacrante. Outra parte, é claro, provém do cartel maquiavélico automobilístico que se instalou no país.

Não temos a infraestrutura de transporte público como do Japão, onde carros são realmente um luxo dispensável. Do contrário, dependemos de nossas “carroças” para o dia-a-dia, para a difícil locomoção em nossas metrópoles mal planejadas. Esse círculo vicioso de má qualidade, dependência do automóvel, ignorância e ganância tornaram nosso mercado de automóveis um paradoxo, um complexo e kafkaesco emaranhado de mentiras.

Bravamente, alguns poucos empresários tentaram quebrar este círculo vicioso, trazendo marcas importadas de qualidade a preços mais “compatíveis” (não necessariamente justos, mas devidamente mais apropriados). Quebrariam o monopólio de ganância e trariam competição de qualidade. Dentre estas, destaco a Kia, a Lifan, a Chery, e a Jac.

Infelizmente, na noite de quinta-feira, o lobby das poderosas (VW, Ford, Fiat, GM, Honda e Toyota) falou mais alto, e mostrou quem manda neste país (o empresariado corrupto e o PMDB). Foi decretada a morte da competência e da honestidade, e enterradas todas e quaisquer esperanças de um futuro promissor no nosso mercado automobilístico. Foi premiado, com méritos e pompas, o caminho da ignorância, da maldade, da ganância e da má gestão. O IPI dos importados, aumentado em exorbitantes 30%, é a prova de que não há futuro promissor para este país, estando-o condenado a essa espiral de incompetência e prostração que o levará, rapidamente, à total e completa ruína.

Tenha vergonha, empresariado brasileiro, consumidor brasileiro, e todo aquele que contribuiu para esse verdadeiro coup d’etat  da qualidade.

Neste blog, falaremos mais sobre ações, medidas, e verdades a respeito do escabroso e triste mercado automobilístico brasileiro. Lutaremos até o fim!

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